
Sábado de carnaval, quatro da manhã. Estou viajando há cerca de cinco horas em busca de paz e descanso a caminho do Espírito Santo. Comigo estão minha namorada e dois amigos. Todos, aparentemente, dormem sob um céu muito estrelado e uma lua que, apesar de minguante, brilha como nunca. Eu, como de costume, permaneço acordado. Desde pequeno nunca gostei de dormir em viagens. Além do mais, apesar dos meus 21 anos, é minha primeira vez na praia. Então, aproveito para observar o caminho.
Entre a curiosidade e a insônia, distraio-me e começo a lembrar com era a praia dos meus sonhos quando criança: coqueiros infinitos, “garotas de Ipanema”, muita animação.
A cada quilômetro que passa, aumentam não só as plantações de eucalipto, mas minha expectativa. Apesar das mil maravilhas faladas, fotografadas, filmadas sobre o litoral, jamais me senti preparado para conhecê-lo. Ao contrário de muitos amigos, nunca reivindiquei uma viagem à praia. Tudo tem sua hora e momento.
Agora, a poucas horas do encontro, não sei qual será a minha reação. Não me importo em sentir medo. Contento-me com a possibilidade de apenas contemplar, como nos versos de Vinícius: “Com o olhar esquecido no encontro de céu e mar, bem devagar, e sentindo a terra toda rodar”.
Por, André Luiz
