sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Vigília no ônibus


Sábado de carnaval, quatro da manhã. Estou viajando há cerca de cinco horas em busca de paz e descanso a caminho do Espírito Santo. Comigo estão minha namorada e dois amigos. Todos, aparentemente, dormem sob um céu muito estrelado e uma lua que, apesar de minguante, brilha como nunca. Eu, como de costume, permaneço acordado. Desde pequeno nunca gostei de dormir em viagens. Além do mais, apesar dos meus 21 anos, é minha primeira vez na praia. Então, aproveito para observar o caminho.

Entre a curiosidade e a insônia, distraio-me e começo a lembrar com era a praia dos meus sonhos quando criança: coqueiros infinitos, “garotas de Ipanema”, muita animação.

A cada quilômetro que passa, aumentam não só as plantações de eucalipto, mas minha expectativa. Apesar das mil maravilhas faladas, fotografadas, filmadas sobre o litoral, jamais me senti preparado para conhecê-lo. Ao contrário de muitos amigos, nunca reivindiquei uma viagem à praia. Tudo tem sua hora e momento.

Agora, a poucas horas do encontro, não sei qual será a minha reação. Não me importo em sentir medo. Contento-me com a possibilidade de apenas contemplar, como nos versos de Vinícius: “Com o olhar esquecido no encontro de céu e mar, bem devagar, e sentindo a terra toda rodar”.
Por, André Luiz

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Made in China


A lógica do capitalismo e as inovações tecnológicas têm excluído cada vez mais indivíduos. A troca da mão-de-obra humana por máquinas, aliado a fatores sociais (desigualdade, má distribuição de renda, entre outros), tem impedido o Estado de promover o pleno emprego entre os membros da sociedade. Obrigando os indivíduos a procurar um meio alternativo de sobrevivência.

Muitos encontraram (encontram) na venda informal seu meio de sobrevivência. Os chamados camelôs. Comerciantes ilegais, principalmente nas grandes e médias cidades, que se instalam em pontos estratégicos para venda dos seus produtos.

Com o surgimento desse grupo, surgiram também alguns problemas. A concorrência dos ambulantes com o comércio tradicional; a ocupação do espaço físico, ocasionando disputa com as pessoas que ali transitam; o embate com as autoridades; sua representação na economia do Estado; Todos esses motivos levou à Prefeitura de Belo Horizonte a criar, em 2003, o Código de Postura.

Criado com o objetivo de reordenar a utilização do espaço urbano pelos cidadãos, principalmente quando se refere ao comércio ambulante, o Código de Posturas, regulamentou, também, um espaço de atuação para os camelôs. Reunido todos os ambulantes em determinados locais regulamentados.
Passado quatro anos de “legalização”, algumas questões ainda não foram respondidas.
Os produtos comercializados são de procedência duvidosa. Muitos contrabandeados de outros países, principalmente da China, que já detêm o terceiro PIB (Produto Interno Bruto) mundial.
Outra questão é a suspeita de formação de grupos especializados nos Shoppings Populares. Segundo alguns camelôs, 40% dos estabelecimentos estão nas mãos da máfia chinesa.


Visto tudo isso, cabe a nós refletirmos sobre uma terceira questão, talvez mais grave ainda. Qual a postura dos meios de comunicação em relação a todo esse processo? Desde a implementação do Código, até, e principalmente, na questão da existência, ou não, das máfias. Já que ela, a imprensa, é um instrumento de informação social ou pelo menos deveria sê-lo.


Ao procurarmos publicações no maior jornal de Minas Gerais, o Estado Minas, encontramos algumas publicações sobre Shoppings Populares e comércio ilegal. Em que ressalta a máfia chinesa, sua chegada e fixação na capital mineira, além do contrabando nos Shoppings Populares.
O que fica mais evidente no jornalismo de hoje, especificamente no jornal analisado, é a falta de continuidade no processo de determinadas ações. Ou seja, a denúncia não é acompanhada até sua conclusão. Posteriormente, surgem outras matérias explicitando o contrabando e a máfia chinesa, novamente, e da mesma forma não são publicadas mais notícias sobre o término do fato mostrado.

O grande problema que vemos em tudo isso, talvez seja a formação de uma opinião errada pelos cidadãos. Ou que caiam num senso comum.


Uma pergunta, que pode ser alvo de futuros estudos, nos intriga neste momento. Por que essas notícias não são divulgadas de forma esclarecedora para a sociedade?
Por, André Luiz.

domingo, 11 de novembro de 2007

"Exportar para os Russos!!!"

Demorou, dançou - O filme, que tem a direção de Rodolfo Vanni, da Cia de Cinema, mostra uma reunião tensa em uma grande empresa. O Presidente expõe a situação da companhia. Os executivos assistem atentos e ouve-se, em off, o pensamento de um deles: "Exportar para os russos. Essa é a melhor solução. Vou falar. Mas, e se eu disser bobagem? Mas eu tenho certeza. Tem que exportar para os russos. Vou falar!". Ele levanta a mão para pedir a palavra, mas um outro executivo levanta antes e fala: "A solução é exportar para os russos!". O chefe pára, pensa um pouco, aponta o dedo e diz: "Gênio".

7:00hs da manhã.
Você acorda.
Levanta e se apronta.
Mais um dia.
Trabalho, estudo e convívio com pessoas que nem sempre são simpatias em pessoa.

Ao decorrer do dia, num momento inesperado, você se vê pensando em uma outra coisa completamente distinta daquilo que está fazendo. E normalmente, esse pensamento vem acompanhado de duas coisas: ou de uma carga afetiva muito intensa, ou de muita indecisão (os dois ao mesmo tempo é frequente).

Este pensamento te toma, te transporta para um outro lugar. Mesmo mantendo o controle da situação em que está inserida, você está em off. E não há nada, aparentemente, que explique este instante, esta fração de segundos.

Dentre os conteúdos destes pensamentos variados e distintos entre si, dois me chamam atenção: quando tomamos uma decisão ou quando temos um insight. Em decorrência de várias coisas e na grande maioria das vezes, esta decisão tomada não é levada a cabo e o insight não é executado.

As consequências destes atos não terminados vão tomando forma em nossa mente, vão se acumulando, chegando ao ponto de sermos obrigados a sublimá-los. A forma que encontrei de dar vazão a parte deste acúmulo de insights e decisões não consumadas foi criar este blog.

Espaço de diálogo,
de exposição
de idéias e
de versos,
de falar do que eu estiver afim.

A você, seja lá quem for, seja bem vindo ao iNSIGHT rEPETIDO!